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Postado por Gustavo Melo | 13/01/10 - 01:31

Vila Isabel

Um Clássico de Craques na Avenida

Clique para ampliarLá pelas bandas da 28 de Setembro, o Boulevard de Vila Isabel, um grupo animado faz a preparação para o ensaio.

- Vamos lá! A ala dos Frankensteins da Vila vem aí...

Mas hein?? O que a história da criatura horrenda tem a ver com Noel?

Pois bem... É uma das boas histórias que a Vila leva para a avenida sobre a curta mas agitada vida do compositor.

O Frankenstein da Vila é resultado de uma árdua e criativa disputa com o compositor Wilson Batista. Uma contenda que gerou belas canções, não obstante a porrada estancada por meio de letras nada sutis.

A súmula da “partida” é mais ou menos essa (inspirada na biografia de Noel, escrita pelo jornalista João Máximo e ricamente ilustrada por esse belo vídeo, creditado no final):


*****

Começa o jogo!!!! Wilson Batista ataca com “Lenço no Pescoço”, em que relaciona a figura do sambista à do malandro (no mau sentido).

“Chapéu de lado
Tamanco arrastando
Lenço no pescoço
Navalha no bolso
E um passo gingando
provoca o desafio
Eu tenho orgulho
De ser Vadio”.


Profundamente aborrecido com a associação à malandragem e à vadiagem, Noel devolve, na lata, com “Rapaz Folgado”.

“Deixa de arrastar o teu tamanco
Pois tamanco nunca foi sandália
Tira do pescoço o lenço branco
Compra sapato e gravata
Joga fora essa navalha que te atrapalha”
(...)
Malandro é palavra derrotista
E só serve pra tirar todo o valor do sambista”.


Pelo meio de campo, vai Wilson Batista com chute direto ao gol. Desta vez, com “Mocinho da Vila”.

“Você que é mocinho da Vila
Fala muito em violão
Barracão e outras transas mais
Se não quiser perder o nome
Cuide do seu microfone
E deixe quem é malandro em paz”.


Noel tabela com Vadico, mas desta vez com sutileza, ataca com classe e marca um gol de placa. Nasce “Feitiço da Vila”.

“Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
(...)
Lá em Vila Isabel
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba
São Paulo dá café, Minas dá leite
E a Vila Isabel dá samba”



Clique para ampliar



Volta a bola para Wilson Batista, que , com um jogo agressivo, dá um carrinho em Noel com “Conversa Fiada”.

“É conversa fiada dizerem que o samba na Vila tem feitiço
Eu fui ver para crer
Não vi nada disso”


Que-que-que é isso, Wilson?? Foi mexer com a musa do Noel, rapá?? Tá maluco? Com o bairro da Vila não mexe. Pênalti!!! Nasce “Palpite Infeliz”. Outro gol de placa de Noel.

“Quem é você que não sabe o que diz
Meu Deus do céu que palpite infeliz”


Wilson Batista entra de sola. Aproveita-se do complexo de Noel Rosa e lasca o “Frankenstein da Vila”. Taí o mote da fantasia da tal ala da 28 de Setembro.

“Boa impressão nunca se tem
Quando se encontra um certo alguém
Que até parece um Frankenstein
Mas como diz o rifão
Por uma cara feia
Perde-se um bom coração”


O jogo fica pesado. Mas não para por aí. Ainda existem lances em forma de canções, mas foi com “Frankenstein da Vila” que a coisa desandou.

A turma do deixa-disso chegou e eles foram pegando mais leve. E de inimigos mortais passaram até a cultivar uma certa amizade.

E a nossa música ganhou mais beleza com essa disputa. E a Vila ganhou sua ala de Frankenstein para ilustrar esse eletrizante jogo de gênios.

Salve Noel!!!





****


Inspiração Tangará

Ainda sobre a Vila, vale a pena destacar a figura meio caipira neste vídeo que inspira a escultura de Noel na segunda alegoria do desfile da azul e branca, em referência ao Bando de Tangarás”. Reparem em Noel Rosa tocando seu violão e fazendo contracanto. Belo registro!





Transparência

A Porto da Pedra traz de volta um recurso que andava meio afastado dos desfiles. O uso de fibra transparente. O material permite iluminar por dentro a escultura e vazar a luz, preenchendo de cores a alegoria.

Ela virá no carro referente à moda art-nouveau, com corpos femininos dando forma a vidros de perfume. A conferir no desfile!


Sarará Crioulo

A bateria da Mangueira virá de “Olhos Coloridos”, no setor dedicado aos festivais. A canção de protesto contra a discriminação racial, composta por Macau, ficou famosa na voz de Sandra de Sá e é sucesso até hoje com seu balanço black swingado. Assim como é cheia de swing a espetacular bateria verde e rosa.


Replay

Falando em Mangueira, não é por nada não, mas pelo menos dois carros são muito parecidos com que a escola paulistana Império de Casa Verde apresentou no carnaval de 2008, num enredo semelhante sobre a MPB. Tudo bem, a divisão do tema era diferente, o samba nem se fala, mas as alegorias sobre a Tropicália e a Bossa Nova apresentam soluções muito parecidas com as da escola paulistana. Em tempo: o carnaval do Império foi assinado naquele ano pelo carioca André Machado.


Ainda sobre o absurdo aumento do preço das frisas do A:

O Fabato foi preciso em sua última coluna, mas ainda há espaço para gritar contra esse absurdo. O que a Lesga quer com esse aumento? A entidade, que vive uma grave crise interna, além de estar implodindo, tem contra si a imprensa e a opinião pública. Depois reclamam de verbas, subvenções etc., mas se a grana está curta, por que ter 12 escolas? E olhe lá se ano que vem não tivermos 14... Parabéns. Do jeito que vai, vão acabar destruindo o desfile de sábado.

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