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Postado por Gustavo Melo | 27/11/09 - 11:09

Memória

Ploc Samba

Clique para ampliarEsta edição do Boi com Abóbora foi buscar na nostalgia dos anos 80 inspiração para relembrar os carnavais daquela que é considerada a década do exagero e da breguice. Cafona sim... "over" também... mas muito além disso, os 80 marcaram uma época de grande vigor do carnaval carioca.

Ainda não havia Internet. A pirataria do disco acontecia por meio de gravações em fitas K-7 (Basf, claro, aquela que esquenta qualquer som), que rodava no aparelhinho da Sanyo ou da Sharp. Quem tinha mais “cruzeiros”, podia tocar o LP num 3 em 1 da National e ainda reproduzir a tal fita pros amigos. Tentando, claro, evitar que a agulha da radiola estragasse a faixa da escola preferida. Quem nunca colocou uma caixa de fósforos sobre a agulha pra evitar que o disco “pulasse”?

Clique para ampliarÉ, a tecnologia avançou muito nos últimos 20 anos. Mas o que era moda entre as escolas de samba dos anos 80? Coloco aqui algumas lembranças que poderão ser completadas com a contribuição de cada um de vocês. Portanto, ponham a “cachola” pra funcionar e vamos nessa que é legal à beça! Isso é tão anos 80...




Enredos

A década foi marcada pela diversidade de histórias e temas levados para a avenida. Mas podemos destacar dois grupos de enredos que fizeram a cabeça da rapaziada da Sapucaí e que hoje perderam terreno na avenida.

A primeira foi a “coqueluxe” (quer palavra mais oitentista que essa??!!) de enredos de crítica social e política. São Clemente e Caprichosos de Pilares abriram alas para esse filão e marcaram época. Em 1984, só para citarmos um exemplo, a Caprichosos de Luís Fernando Reis louvou Chico Anysio e sua irreverência política, evocando personagens populares como Salomé, Painho, Popó etc. A São Clemente, por sua vez, em 1985 lembrou metaforicamente no enredo “Quem Casa Quer Casa” a inoperância do famigerado BNH, ou Banco Nacional de Habitação.

O carnaval de episódios épicos, vultos e mitos invencíveis abria espaço também para as cenas cotidiano. Quem não se lembra do assombroso sucesso da feira livre da Caprichosos em 1982? Ou do arrebatador enredo “33, Destino Dom Pedro I”, da Em Cima da Hora em 1984, que rendeu um samba de melodia e letra sofisticadíssimas, falando de aspectos do dia-a-dia do suburbano na sua viagem de trem até a Central do Brasil?

Clique para ampliarOutra temática que causou o maior “fricote” no quesito enredo foram as homenagens a personalidades vivas. Podemos listar uma vastidão de nomes que foram cantados na avenida, mas em 1984, tivemos o apogeu dessa tendência com os campeonatos da Mangueira no Grupo 1-A (Yes, Nós Temos Branguinha) e Unidos do Cabuçu, vitoriosa no 1-B com “Beth Carvalho, A Enamorada do Samba”. É mole ou quer mais?


Sambas de Enredo

Os sambas, claro, refletiam a diversidade de enredos e eram massificados. Não é exagero dizer que todo o Brasil, de Norte a Sul, brincava carnaval ao som das escolas cariocas. Composições deliciosas, diversificadas e que também assumiam seus modismos sem medo de ser feliz. As irresistíveis melodias de Davi Correa, por exemplo, fizeram o Brasil inteiro cantar em 1981 “Das Maravilhas do Mar, Fez-se o Esplendor de Uma Noite”, um grande fenômeno musical que teve a façanha de figurar entre as dez mais do Globo de Ouro. E o mesmo Davi Correa emplacou outro hit, só que no Salgueiro: “Skindô, Skindô” sacudiu o pré-carnaval de 1984, com uma letra dadaísta:

“O que vem de mim é pra rolar... Amor raiou o dia”

(Como assim, Bial???)

Livres das mordaças da censura após a reabertura política do país, como aponta o pesquisador Sérgio Cabral em seu livro “As Escolas de Samba do Rio de Janeiro”, os compositores se sentiram livres, leves e soltos para cometer certas “licenças poéticas” e tascar versos como:

“Não venha agora nos SACANEAR / levando meu samba pra lá” (Vila, 1986) ou

“... e pagar geral pro meu patrão, que é VACILÃO” (Portela, 1986).

A mesma Portela de 1986, ao lado da União da Ilha, reafirmou na Sapucaí o bordão de maior sucesso da época:

“Ver minha Portela estourando a BOCA DO BALÃO”

“O leão só morde bumbum de pobre
E o rico é que explode a BOCA DO BALÃO”.


Ainda tínhamos o FMI no nosso encalço, vivíamos à sombra da inflação e do medo da guerra fria entre Estados Unidos e a União Soviética. O temor maior era a guerra nuclear entre as duas maiores potências mundiais. Mas, como cantou a Ilha em suas “Assombrações”, a “bomba nuclear, mando lá pro BELELÉU”.


Fantasias

Clique para ampliarNão é exagero afirmar que 8 entre 10 casais de mestre-sala e porta-bandeira e 9 entre 10 componentes de alas, composições de alegorias e destaques (como Pinah) usavam aquele tipo de resplendor que encaixava por debaixo dos braços, passava como um arco por cima dos ombros e formava uma grande gola de plumas. A Beija-Flor de Joãozinho Trinta / Viriato e a Portela de Alexandre Louzada tinham o hábito constante de vestir seus desfilantes assim. Era o resplendor em seu sentido mais literal, já que deixava o folião com um trambolho enorme por trás da cabeça. Era algo tão assim... vedete do Folie Bérgere.... Uma moda que não sobreviveu aos anos 90.


Alegorias

Clique para ampliarE por falar em Saudade, onde andam aqueles pastilhões que decoravam as alegorias de outrora? A Caprichosos Saudosa de 1985 e a Mocidade Tupinicopolitana de 1987 usaram e abusaram daqueles adereços, que davam um efeito lindo, principalmente em desfiles à luz do dia.

Sabem outra coisa que sinto falta? Das alegorias com coisas escritas, tipo Beija-Flor 1988: “Hórus e Xangô, os Filhos da Justiça”. Joãosinho Trinta, Arlindo, Fernando Pinto, Luís Fernando Reis, Carlinhos Andrade, Sílvio Cunha...Toda a trupe de carnavalescos oitentistas adorava lançar mão desse artifício para contar seu enredo. E dava o maior pé!

Outra moda dos anos 80: alegorias que não tinham significado algum no enredo, mas que salvavam qualquer escola em apuros financeiros. Serviam apenas de suporte para destaques e eles que se virassem para dar sentido àquela traquitana. Escolas como Unidos da Ponte, Cabuçu e São Carlos / Estácio (pré Rosa Magalhães), ano sim, outro também, mantinham a base da alegoria, mudavam minimamente a decoração e o resto deixavam pra lá... Os destaques faziam o resto!

E quem ligava pra proporção das esculturas?? A Mangueira de Júlio Matos com certeza não!

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Celebridades: aconteceu nos anos 80....

...em 1981, uma jovem modelo (ou melhor, ‘garota propaganda’) roubou a cena nos Jardins Suspensos da Babilônia da Beija-Flor. Era uma tal de Luiza Brunet, que fazia fotos para a grife Dijon (É o novo!!).

...o jogador Sócrates foi julgador no carnaval de 1986.

...Silvinho, cabeleireiro das estrelas, não estava nem aí: desfilava de sunga, botas e muitas plumas na Portela.

....o Trio Los Angeles desfilou na Vila em 1989.

...a presença das Chacretes era disputada a tapa por qualquer agremiação.

...Lobão tocava tamborim na bateria da Mangueira.

...Simone cantava sambas-de-enredo compostos exclusivamente para ela por Marquinhos Lessa - e faziam sucesso. A baiana também teve a audácia de puxar o samba da Tradição em 1989.

...por falar em Simone, a cantora formava ao lado de Ísis de Oliveira o casal mais badalado dos camarotes.

...Foi nos anos 80 que se institucionalizou uma tradição: Terezinha Sodré ser atropelada por uma alegoria da Mangueira. O hábito durou até os anos 90, mas... por onde anda Terezinha Sodré mesmo?? Aliás, naquela época eu pensava que ela era irmã da Rosemary.

...Pery Ribeiro e Fafá de Belém eram presenças certas na União da Ilha.

...quem também batia ponto, mas na Estácio de Sá, era Bernard, astro do voleibol.

...Marquinhos Moura era destaque permanente da Unidos do Cabuçu. Em 1989, representou a fumaça (!!) que saía do Trem Azul, no desfile em homenagem a Milton Nascimento.

... Giulia Gam, a Jocasta da primeira fase da novela Mandala, da TV Globo, se acabou de sambar - e acabou com o samba - numa alegoria do Salgueiro em 1988.

...também em 1988, Henriqueta Brieba e Lucélia Santos deram o ar de sua graça na Imperatriz. Já Cristina Mullins, uma das estrelas da novela global “Brega e Chique”, brilhou na Caprichosos de Pilares.

...Magda Cotrofe (meu Deus, que nome é esse???) era figurinha fácil em muitos desfiles, em várias escolas. Chegou até a participar da infeliz comissão de frente do Salgueiro em 1987.

...o grupo Balão Mágico desfilou na Vila em 1985, no enredo Parece que Foi Ontem.


É, anos 80... Parece que foi ontem mesmo...


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