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Postado por Gustavo Melo | 14/12/09 - 17:12

Memória

Cordel à J30

Clique para ampliarModo de preparar - Misture os seguintes ingredientes: Pernambuco, Maurício de Nassau, príncipes, princesas, bruxas, Zumbi dos Palmares, maracatu, literatura de cordel, forró, Mestre Vitalino... Bata tudo numa alucinante centrífuga imaginária. Transponha os limites de tempo e espaço. Não deixe descansar. A inquietude é a mãe da boa arte.

O que era pra ser a receita de uma boa maionese, Joãosinho Trinta transformou numa história saborosa, daquelas que só ele sabe contar. Isso foi em 1982, no enredo “O Olho Azul da Serpente”, da Beija-Flor.

No livro “O Brasil É um Luxo”, escrito pelo produtor cultural Fábio Gomes, o enredo é assim destrinchado:

“A Beija-Flor conta a história do Reino de Paranambuco, onde vive uma serpente encantada, com um olho azul e outro preto. Na menina do olho azul, morava uma bendita princesa. Na menina do olho preto vivia uma bruxa maldita. Ao abrir-se o olho azul, o reino era só felicidade. Quando, entretanto, a serpente abria o olho preto, só aconteciam desgraças.

Exaurido pelas maldições da bruxa cruel, o povo de Paranambuco vai até Palmares consultar Acotúndia, a avó de Zumbi, para saber o que fazer para destruir a serpente. Acotúndia lhes recomenda retirar, com uma faca de prata, o olho azul da serpente e guardá-lo, durante sete luas, numa flor de mandacaru. Passado esse tempo, ali surgiria uma linda princesa que conquistaria um príncipe estrangeiro capaz de matar a serpente.

O povo fez o que Acotúndia mandou. Passadas sete luas, apareceu a bela Yara. E a princesa conquistou o príncipe holandês.

Clique para ampliarMas, quando Yara descobriu que o príncipe não falava a sua língua, chorou. Mestre Vitalino, chamado para resolver o impasse, misturou as lágrimas da princesa com barro, criou bonecos e, com eles, contou o que estava acontecendo ao príncipe. Ele prendeu então a serpente, amarrando-a com sete laços e a derrotou.

Clique para ampliarO Reino de Paranambuco é Pernambuco. A serpente é o rio Capibaribe, que alternava seis meses de calmaria sob o domínio de Yara e seis meses de enchentes sob o poder destruidor da bruxa. Foi dominado por Maurício de Nassau com a construção das sete pontes de Recife.”



***

A metáfora e o sobrenatural são utilizados no enredo com a categoria de um craque literário, com os ouvidos abertos para a sabedoria popular. Foi por meio dos seus enredos que Joãosinho Trinta não apenas incorporou o visual espetacular às escolas de samba, como também inventou novas formas de contar uma boa história na avenida.

Dedicação

Um causo curioso sobre a postura de Joãosinho no carnaval de 1982: a extrema dedicação chegava a fazer com que passasse até cinco noites sem dormir, comandando as equipes de costura, ferragem, carpintaria e adereços. Enérgico no comando do barracão, ele não dava colher de chá. Naquele ano, era possível ser vista no barracão da escola uma placa em que advertia:

“Olhem bem para o olho da serpente. Ele está vermelho de raiva pela lerdeza. Cuidado, ela vai dar o bote em vocês!!”

Se havia alguém que ousasse fazer corpo mole, pensaria duas vezes. Também com um aviso desses...

Classificação

Mas o resultado foi infeliz pra Beija-Flor, que amargou a pior colocação até então na vitoriosa era Joãosinho Trinta. O sexto lugar foi o preço pela desobediência ao regulamento, que determinava a proibição de figuras vivas sobre as alegorias.

O que não tira o brilho do desfile. E que brilho! O carnavalesco abriu a escola em azul e prata e depois ousou na explosão de pretos e dourados, com muitas placas de acetato, metaloides e todos os paetês que tinha direito. E lançando mão de efeitos especiais inovadores e muito movimento, como o trilho que conduzia a serpente ao redor de uma das alegorias.

Mirem, portanto, no “Olho Azul da Serpente”. Ela há de enfeitiçar você!!







A serpente volta agora seu olhar para 2010. Vamos que vamos!


Renato Shakespeare Lage

Clique para ampliarMuitas vezes o visual de uma fantasia revela histórias sem fim. É o caso desta ala da comunidade do Salgueiro, alusiva ao clássico “Romeu e Julieta”, escrita por William Shakespeare, no final do século 16. Aqui Renato Lage utiliza recursos visuais que ajudam a contar trechos importantes da obra literária em questão.

A opção dos figurinos masculino e feminino foi pelo trecho em que o jovem casal se conhece no baile. Compondo os trajes de época, os componentes trazem como adereço de mão uma máscara em forma de caveira. É o prenúncio da trágica morte que iria se abater sobre o casal de filhos de famílias inimigas, os Capuleto e os Montecchio.

Com esses elementos e ainda utilizando uma interessante combinação de cores fortes, como o azul, vermelho e laranja, o carnavalesco vai tecendo, com toda a habilidade de poeta da imagem, a paixão e a dor dessa história genial que é considerada o arquétipo do amor juvenil, imortalizada na literatura e no teatro universal.

Bravo, Shakespeare!
Bravo, Renato!!

Raiz Vermelha e Branca

Ainda lá pelas terras do Salgueiro, a escola contará com dois destaques especiais no carro da literatura infantil. O baluarte Djalma Sabiá representará Tio Barnabé, do Sítio do Picapau Amarelo. E a presidente dos destaques, Iracema Pinto, será Dona Benta, a mesma personagem que ela incorporou na avenida em 1978, no enredo "Vamos Brincar de Ser Criança", de Max Lopes, na Imperatriz Leopoldinense.

Tropa de Elite

A bateria da Estácio promete arrasar. E não só pela qualidade do som da Medalha de Ouro. Os ritmistas vibraram com o figurino criado por Chico Spinosa. Metade da ala virá de malandro e a outra de polícia. De época, claro! Tudo no clima anos 20 / 30 com muito bom humor!

Passe de Mágica

Entre os segredos que a Tijuca vai desvendar na Sapucaí está um truque muito conhecido por quem curte mágica. A escola do Pavão virá com uma divertida ala em que cada componente vai surgir de dentro de uma cartola, vestidos de coelhinhos. Promete levantar a avenida.

Agenda

Entre os dias 15 e 17 de dezembro, o Departamento Cultural da Lesga promove o seminário “É Arte? Carnaval Faz Parte”. A iniciativa irá reunir vários profissionais e pesquisadores de carnaval em torno da vertente artística das escolas de samba. O evento acontece na sede do Iphan, na rua da Imprensa, 16, Centro. Informações: 2529-6685.

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