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Postado por Gustavo Melo | 05/02/10 - 13:25

Carnaval 2010

As Mágicas Luzes da Avenida

Clique para ampliar"E disse Deus: haja luz! E houve luz! Nada mais restou das trevas sobre a face do abismo". A passagem bíblica transcrita do Gêneses revela que desde o início dos tempos a luz é sinônimo de encantamento. Permite ao homem não apenas enxergar as cores e formas da natureza, mas dar a elas novos contornos.

Pois assim é também no carnaval. No exato instante em que você lê este texto, centenas de técnicos estão nos barracões quebrando a cabeça para garantir a luz do carnaval. Tudo para tornar o desfile ainda mais bonito.


Bamba da luz

Clique para ampliar“A luz pode ‘levantar’ ou ‘derrubar’ uma alegoria”. Esta é a opinião de Paulo César Magalhães Pereira, o Paulinho da Luz. A afirmação vem de anos de experiência na Vila Isabel, escola que abraçou após o inesquecível título de 1988. “Foi com Kizomba que eu me apaixonei pela Vila”, diz.

Entre seus trabalhos recentes, Paulinho destaca a luz do abre-alas da azul e branca em 2006, quando a escola alcançou o segundo título. “Usei lâmpadas fluorescentes que pareciam neon. O efeito foi lindo, com uma solução barata. Essas lâmpadas funcionam bem em lugares fechados”, ensina. Outro trabalho que Paulinho destaca é o carro da industrialização, em 2008. “Foram usados mais de 130 mil watts, com muito movimento de luz, como estrobos, refletores e neon. Foi um grande show de luz que deu vida ao carro”, explica.

Para 2010 o desafio é iluminar o cometa que promete deixar a Sapucaí boquiaberta. “Nosso abre-alas será um facho de luz incandescente na avenida. Nunca usei tanta luz. Serão 350 mil watts, suficientes para iluminar uma cidade de 70 mil habitantes”, calcula. Para dar suporte a tanta luz, a escola teve que alugar dois geradores de 280 KVA, um dos mais potentes do mercado. Outra novidade são as lâmpadas eletrônicas que Paulinho está usando no carro da Lapa. Na alegoria do carnaval, quase toda em preto e branco, o colorido é garantido com a utilização de muitas luzes que vão dar vida à orgia carnavalesca de Noel.


O Iluminado

Clique para ampliarBeto Kaiser começou no carnaval em 1998, quando iluminou a última alegoria da Mocidade Independente, uma homenagem ao patrono Castor de Andrade. “Fiz esse trabalho a convite do Peter Gasper. No ano seguinte, em que a escola homenageou Villa Lobos, eu assumi toda a parte de iluminação. E tô aí acompanhando o Renato Lage até hoje”, comemora esse carioca morador de Niterói que começou a carreira fazendo a iluminação de shows e tem no currículo grandes eventos, como a abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007.

Kaiser guarda na memória dois trabalhos muito especiais. “Um foi no ano de 2001, quando a gente iluminou Deus, no enredo sobre a paz da Mocidade. O abre-alas era uma aparição divina. Colocamos muita luz sobre a escultura branca e deu um resultado fantástico. Outro trabalho que ficou muito bom foi no abre-alas do Salgueiro de 2003. A alegoria tinha um projeto arquitetural muito interessante, que poucas pessoas tiveram a sensibilidade de apreciar. Iluminar aquela alegoria, que era imensa, foi um desafio e um prazer”, revela.

Para o carnaval de 2010, Kaiser estudou minuciosamente cada planta dos carros e preparou uma luz especial para as sete alegorias do Salgueiro. “Cada carro tem uma linguagem própria. O abre-alas, por exemplo, precisa de uma luz de show. Já o último carro não pede movimentos de luz. Só contornos. A alegoria já é linda por si só”.

Clique para ampliarAlém do Salgueiro, Beto Kaiser assina a luz da Mangueira. “Vocês vão ver um carnaval muito bem cuidado nos detalhes. O Ivo Meireles quer um desfile tradicional e os carnavalescos seguiram essa linha. Teremos muitas esculturas. Tem também muito verde e rosa e a luz vai imprimir os contornos e formas que o enredo pede. As cores da Mangueira têm um carisma único, não precisa inventar”, diz.


Luz e Sombra

Tanto Paulinho da Luz como Beto Kaiser concordam que o maior desafio é vencer a luz de estádio de futebol da avenida. “A gente entra na Sapucaí com uma luz branca que chapa tudo. O mais grave é que alguns setores são mais, outros menos iluminados. Não há revisão das lâmpadas. Ou seja, a escola desfila iluminada, mas ao mesmo tempo, sem luz”, reclama Kaiser. Já Paulinho acredita que o principal problema é achar o tom certo para não exagerar, nem esconder o carro alegórico. “Não podemos usar uma luz tímida. Tudo tem que ter muito volume, senão a alegoria some”.

Segundo Beto Kaiser, um projeto de luz para o Sambódromo poderia ser repensado. “Tivemos um ensaio de luz para avenida entre 2001 e 2005. Mas eu proponho algo mais dinâmico. Que cada escola cuide do seu projeto de iluminação. Imagine a cena: a escola entraria no escuro, só com um surdo tocando. Aos poucos, a bateria iria entrando... E a luz acompanhando... Até que a bateria explode em ritmo e a iluminação também. Demais, não é? Cada carro poderia trabalhar com cores diferentes que iam se transformando ao longo da pista. Seria uma mudança muito saudável pro carnaval. O espetáculo precisa se renovar”, diz.

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Os Sete Mandamentos da Luz (segundo os iluminadores):

- O carro deve ter luz na medida. Recursos como LED e neon devem ser usados, mas com bom gosto.

- Apostar em cores quentes. Amarelo, vermelho e laranja sempre vão bem. Cores frias devem ser usadas com cuidado e somente em lugares fechados da alegoria.

- A parceria com o carnavalesco é fundamental.

- Luz em movimento funciona muito no carnaval, mas só se o carro pedir.

- Não existem equipamentos de luz específicos para carnaval. O segredo é usar esses equipamentos de maneiras diferentes e que surpreendam.

- Uma boa luz deve ressaltar a qualidade dos materiais presentes na alegoria.

- Cor é emoção. Luz é cor. Portanto, luz é emoção.



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Bricolagem

Clique para ampliarNo Carro Eu, Robô, o sexto de desfile do Salgueiro, peças de computador estarão espalhadas pela alegoria. Mas... se você olhar bem, notará que as peças são na verdade utensílios de cozinha. Centenas de escorredores de prato, porta-esponjas e porta-talheres de plástico foram utilizadas para compor a alegoria. É o "high-tech" doméstico...


Androide

Nessa mesma alegoria fique de olho também na fantasia do destaque Maurício Pina, que irá representar um androide. Partes do colete e da cabeça são feitas em aço inoxidável.


Barriga

Na última coluna, disse que a bateria da Mangueira viria de “Olhos Coloridos”. Informação errada. Na verdade, a fantasia representará os presos pela censura. E quem pensa que ele estava afastado das coreografias, Carlinhos de Jesus está testando uma surpresa que promete “prender” a atenção do público durante a apresentação da bateria. Os ensaios são exaustivos...


Parto

Na Portela, componentes vão apresentar uma coreografia curiosa simulando os exames médicos de grávidas, com o auxílio de modernos aparelhos. A performance promete levantar a avenida.


Pinta

Um bloco muito animado vai passar pela Sapucaí no sábado de carnaval. É o Bloco das Piranhas da Renascer, uma ala muito divertida que virá no último setor da escola. Precede o carro “Banho de Mar à Fantasia”.


Polêmica

Cada comissão de frente, segundo o regulamento da LIESA, deve ter no máximo 15 integrantes. Mas em algumas escolas esse número pode aumentar ou até duplicar. É que depois do sucesso da Vila Isabel ano passado, que trouxe camas movimentadas por componentes escondidos, muitas comissões estão ensaiando um número maior que o permitido. Algumas usarão carregadores de tripés, outras trocarão de roupa em velocidade impensável (mas serão, na verdade, outros componentes). Como a regra não é clara, fica a dúvida: haverá punição para quem trouxer mais de 15 elementos na comissão de frente? Polêmicas à vista, que só devem se resolver no regulamento de 2011.

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