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Postado por Gustavo Melo | 30/12/09 - 12:44

Ano Novo

2010... Nota 10!!!

Clique para ampliarNão, não é carro dos cavalos da Imperatriz em 2009. Esta imagem é uma forma de celebrar o ano novo que bate à porta e, com ele, mais um carnaval. Pedindo licença aos meus amigos poetas do Império da Tijuca, a palavra que se cumprirá já deve estar lá escrita no livro do destino. Em menos de dois meses saberemos quem vai chorar, quem vai sorrir, quem vai vibrar de emoção, quem vai berrar de ódio, quem vai subir e quem vai descer na gangorra do carnaval.

Mas enquanto o ano novo não pinta por aí, 2010 marca a comemoração de fatos inesquecíveis na história do carnaval carioca. Vamos lá:


Há 70 anos... (1940)

Clique para ampliarA Mangueira conquistava na Praça XI mais um título com o belíssimo enredo “Pretos, Prantos e Poetas”. Curiosamente, o vice ficou com uma agremiação chamada Mocidade Louca de São Cristóvão (seria uma prima distante do Paraíso do Tuiuti?). A terceira colocação ficou com a Azul e Branco, escola que anos mais tarde emprestaria seu DNA para a formação dos Acadêmicos do Salgueiro. Naquele ano, a poderosa Portela de Paulo Benjamin de Oliveira, campeã de 1939, ficou com uma modesta 5ª posição.

Há 60 anos... (1950)

O menino-prodígio do samba, Império Serrano abocanhava na Presidente Vargas seu o terceiro título consecutivo com o bélico enredo “batalha Naval do Riachuelo”. Mas houve divisão de desfiles e na Praça XI (nas cercanias, porque a praça mesmo fora destruída em 1941) quem se deu bem foi a Mangueira, com “Saúde, Lavoura, Transporte e Educação”.

Há 50 anos... (1960)

Houve cinco (cinco!!!!) campeãs. Portela, Unidos da Capela, Império Serrano, Mangueira e uma tal de Acadêmicos do Salgueiro, com um sujeito chamado Fernando Pamplona no comando de uma comissão também integrada por Marie Louise e Dirceu Nery, Nilton Sá e Edison Carneiro. O enredo “Quilombo dos Palmares” tornou-se um divisor de águas por apresentar o negro em sua dimensão heroica, uma verdadeira ópera da raça, com samba assinado por uma dupla de craques: Noel Rosa de Oliveira e Anescarzinho. Uma África vitoriosa em palha, ráfia, isopor e poesia. A revolução negra era escrita na avenida.

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A curiosidade dessa quíntupla vitória foi com marcada pela célebre malandragem de Natal da Portela. O patrono da Azul e Branco teria declarado às co-irmãs: “Vocês são campeãs, né?? Parabéns! Mas só a Portela é Tetra!!”. A escola vinha de uma sequência de títulos desde 1957 e conquistou mais um, botando água no chope das demais vitoriosas.

Há 40 anos... (1970)

A majestade foi à Amazônia e se consagrou. Com suas lendas e mistérios, a Portela fez seu carnaval, emocionou a avenida e fez história com o enredo de autoria de Clóvis Bornay, derrotando a já quatro vezes campeã Acadêmicos do Salgueiro, que veio saudosa e malandra lembrando a velha Praça XI, Carioca da Gema. No 2º Grupo, quem levantou o caneco foi o Império da Tijuca, com “Segredos e Encantos da Bahia”.

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Há 30 anos... (1980)

Aqui vai um desafio. Se você tivesse que escolher entre Portela, Imperatriz e Beija-Flor, para quem você daria o título? Tirava na porrinha?? Zerinho ou um?? Ou seria melhor sortear nos papeizinhos? Pois bem, o júri teve a mesma dificuldade e decretou: campeonato triplo!! A cidade já vivia carnaval antes mesmo do Rei Momo receber as chaves da cidade e os ótimos sambas da safra já estavam na boca do povo. Um ano que elevou ao panteão dos campeões três artistas de uma rara safra de talentos: Arlindo Rodrigues, Viriato Ferreira e Joãosinho Trinta, este último conquistando nada menos que seu sexto título em sete carnavais disputados. Ainda houve empate na segunda colocação a alegria insulana, com “Bom, Bonito e Barato” e a onírica Vila de Martinho, com “Sonho de um Sonho” e a brasileiríssima Mocidade Independente de Fernando Pinto, em sua estreia na verde e branca com “Tropicália Maravilha”.

Não bastassem os memoráveis carnavais no grupo de cima, na segunda divisão do samba, uma escola atropelou as concorrentes. Era a Unidos da Tijuca, que tinha no comando o craque salgueirense Laíla e a voz marcante de Neguinho da Beija-Flor no carro de som. Já na parte artística, um distinto jovem que de tão genial fica até feio elogiar: Renato Lage.

É... o carnaval deve muito ao ano de 1980!!












Há 20 Anos... (1990)

Já se vão 20 anos de uma virada sensacional. No final deste ano de 2009, o Departamento Cultural da Mocidade numa atitude louvável, laureou as glórias e exorcizou os fantasmas de um desfile nascido para vencer. Poucas vezes uma escola teve a marra de dizer pra si própria: “Eu quero ganhar o carnaval, por isso, eu VOU ganhar o carnaval”. E assim a estrela da Mocidade brilhou pela terceira vez na grande constelação do samba.

Viradouro. Quem????? Como???? Com que se come isso??? Para quem não conhecia Niteroi e seu exuberante carnaval, o nome soava estranho. Mas era uma escola de grande tradição que vinha do outro lado da poça com altíssimo investimento financeiro. Com o enredo “Só Vale o Escrito”, a Viradouro sob o comando de Max Lopes e Mauro Quintaes, campeões pela Imperatriz em 1989, deixaram a avenida de queixo caído com um carnaval plasticamente arrebatador. E daí em diante, Viradouro virou um nome poderoso e temido no mundo do samba.







Há 10 Anos.... (2000)

Era para ser um carnaval inesquecível, devido às comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. As agremiações do Grupo Especial nadavam em dinheiro: pela primeira vez a prefeitura resolveu dar uma subvenção extra de R$ 500.000,00, o que garantiria o maior desfile de todos os tempos. Mas não foi bem assim. As escolas, salvo raras exceções, desfilaram tímidas, com um visual bem mais ou menos e sambas de gosto muito duvidoso. Quem se deu bem foi a Imperatriz que acabou justificando no ano seguinte a atrocidade e a imoralidade que foi o título de 1999 que deixou todo o mundo do samba revoltado. Em 2000 a história foi outra. A escola veio vibrante, rica e linda. A rima “feliz” com “Imperatriz” se consolidou na quarta-feira de cinzas com toda a justiça, num carnaval que, no todo, foi muito meia-boca.

No grupo de Acesso, então sob o comando da Liesa, deu coroa na cabeça. Império apontou seus “Canhões de Guararapes” nas concorrentes e guerreou com as boas armas pelo título, conquistado com toda a majestade. Mas a surpresa ficou com o segundo lugar. A recém-chegada ao Grupo, Paraíso do Tuiuti balançou o povo sendo a última agremiação a desfilar e deixou a avenida com a certeza de que havia causado uma ótima impressão, com uma comissão de frente espetacular e um belo visual do novato Paulo Menezes. Um carnaval surpreendente que valeu o título de vice-campeã e o acesso ao grupo Especial. E quem quase chegou lá foi a Em Cima da Hora, com o enredo sobre Oswaldo Cruz assinado sabe por quem?? Ele, o biógrafo de Noel em 2010, Alex de Souza.









Bom, depois de tantas emoções é esperar pra ver as surpresas que nos reservam o carnaval de 2010. Pelo menos em termos de história, os anos terminados em zero são repletos de momentos inesquecíveis. Veremos logo, logo, se essa mística se cumprirá no ano que vai nascer. Feliz 2010... Nota 10!!

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